Todos já ouviram a máxima contemporânea: meu corpo, minhas regras. De fato, isso é verdade para o incrédulo. Como o corpo pertence a ele, apenas satisfará os desejos impuros e escravizadores do seu coração. Desta forma, a única atitude que terá para com seu próprio corpo é usá-lo como meio para satisfação dos seus prazeres. Essa é a regra do descrente. Paulo, porém, nos lembra que fomos comprados por um preço. Essa compra, efetuada por Cristo mediante o derramamento de um sangue puro, perfeito e divino, foi integral; ou seja, Deus nos comprou por inteiro. Parte imaterial e parte material agora pertencem exclusivamente a Ele, sendo nós apenas despenseiros de seus bens. Isso significa que, se pertencemos a Ele, inclusive nossos corpos, as santas e espirituais regras bíblicas prevalecerão sobre a vontade da carne.

Mediante essa compra na cruz, fomos unidos ao Senhor, nos tornando um só espírito com Ele. Isso muda a maneira como encaramos todas as coisas, inclusive nossos próprios corpos. Por ser propriedade de Deus, precisamos ter controle e domínio sobre a comida e a bebida, acautelando-nos sobre o que comer e beber e as devidas quantidades (exercícios físicos e o descanso necessário são essenciais também, mas não é o assunto aqui). Todos os pecados afetam, de alguma maneira, o corpo. Gula, bebedice, drogas e afins são mais óbvios; mas não dá para negligenciar as questões psicossomáticas, como ansiedade, tristeza profunda, murmuração, entre outras. Nenhum pecado, porém, mesmo que afete o corpo, se encaixa no “tornar-se uma só carne”, senão a imoralidade sexual. É por isso que Paulo afirma que este é o único pecado cometido dentro do corpo, contra o próprio corpo. Nesse texto, o contraponto da imoralidade não é a pureza, embora ela seja essencial para a vida de qualquer cristão, mas o fato de que o corpo do salvo é santuário do Espírito Santo. Como fomos comprados pelo sangue de Jesus Cristo, já não somos nós que mandamos no corpo, mas o próprio Deus, que habita em sua igreja. E o que Ele deseja de cada um de nós é a glorificação a Ele mesmo com a integralidade do nosso ser, o que envolve, inclusive, o corpo físico.

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