Ser cristão é meio louco, mas também viver debaixo do poder de Deus. Calma, eu explico. Ou melhor, Paulo explica. Loucura e poder podem ser opostos e, ao mesmo tempo, caminhar de mãos dadas nos planos divinos. Há um pedaço de madeira no meio da história da redenção que une (e separa) esses dois termos. Uma mesma cruz, mas duas percepções; uma mesma mensagem, mas duas considerações. O meio de Deus para salvar seu povo, o sacrifício na cruz, é, ao mesmo tempo, loucura e poder. Enquanto os sábios deste mundo se escandalizam com a cruz, considerando-a loucura, os crentes a recebem como o poder de Deus que realizou o que ninguém mais poderia fazer. É desta forma que Deus anula a suposta sabedoria do mundo, tornando-a a verdadeira loucura. Assim, loucura e poder estão em lados opostos.

O mesmo texto, porém, que contrapõe esses termos, os junta. Típico do habilidoso apóstolo. Assim, essa loucura da pregação, mais sábia do que a maior suposta e pretensa sabedoria humana, é o poder de Deus que também salva o cristão. Deus mesmo se agradou em escrever sua história da redenção desta maneira. Poderosa salvação demonstrada em uma mensagem de loucura [ao menos para os gentios]: o Cristo crucificado. Os judeus continuam procurando sinais, mas só encontram escândalos. Os gregos correm atrás de sabedoria, mas se deparam com loucura. Já os eleitos encerram em Cristo a busca por sinais e sabedoria, encontrando em si mesmos fraqueza, mas poder e salvação no único sacrifício que agradou a Deus: a morte vicária de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

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