O casamento pode ser visto e encarado de diversas perspectivas, dependendo da situação de vida de quem o contempla. Para alguns, como Paulo, o casamento é indesejado, preferindo o estado em que se encontrava. Ele tinha seus motivos. Para outros, porém, é extremamente desejado, sendo o sonho de muitos, o ápice da vida humana. E, de fato, é uma das decisões mais importantes que temos na vida. Há quem o enxergue apenas como uma possibilidade de pôr fim a uma vida abrasada, dirimindo a luta contra o domínio próprio na área sexual. Graças a Deus por Ele prover um meio lícito e santo para a satisfação de desejos que Ele mesmo colocou em sua criação, dentro dos limites saudáveis do casamento. Diante de todas essas perspectivas, um fato é certo: o casamento foi feito para durar. Por isso, a ordem apostólica para os casados é uma só: não haja separação. Que a esposa não deixe seu marido; que o marido não se aparte de sua esposa. Seria simples, não fosse o pecado.

O pecado faz com que o ideal divino para a sociedade sofra desfigurações e corrupções, afetando, inclusive, o casamento. O que fora idealizado para ser indissolúvel pode acabar. Por isso, o apóstolo acrescenta que, se ocorrer uma separação, não deve haver outro casamento, mas apenas a reconciliação do casal. Ordem difícil de ser obedecida pelos atuais cristãos, mas que continua sendo uma ordem apostólica. Há, porém, uma outra situação tratada por Paulo, situação que, imagino eu, seja extremamente dolorosa para um cristão: a vivência com um descrente. Quando alguém torna-se cristão já casado, e o faz sozinho, levará o fardo da comunhão com um incrédulo para o resto da vida, caso este deseje que o casamento continue. Paulo afirma, porém, que se o cônjuge descrente não mais desejar o casamento, o cristão pode se separar. E, ao que me parece, o texto deixa implícito que o descrente está desejoso do divórcio por causa da fé do cônjuge convertido. Assim, entre a fé cristã e o casamento, obviamente o cristão deve optar por Deus. Ele não deixará de cultuar a Deus por causa de ninguém, pois, se o fizesse, estaria apenas trocando de culto ao idolatrar o cônjuge. De tantas perspectivas que pode haver ao contemplar o casamento, a idolatria nunca deve ser uma delas. Com o casamento, ou sem ele, o cristão deve sempre perseverar na adoração somente a Deus.

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