O Antigo Testamento é recheado de histórias exemplares, tanto boas quanto más. Em uma recapitulação da história do povo de Israel, da libertação à desaprovação, Paulo embasa seu argumento desenvolvido anteriormente. O povo de Israel experimentou bênçãos diversas enquanto esteve no deserto, no momento de maior provação e privação de sua história. Mesmo no deserto, a misericórdia de Deus era visível na vida do povo, pois os israelitas passaram por dois batismos, pela presença de Deus por meio da nuvem e pelas águas ao atravessarem o mar. Para além disso, comeram e beberam, não só carnalmente, mas espiritualmente, pois desfrutavam da comunhão com o próprio Cristo, enquanto suas necessidades eram supridas por Ele mesmo. A advertência, então, é severa: Deus não se agradou da maioria deles.

Se há uma advertência que devemos encarar com seriedade, é a que Paulo inicia esse capítulo, pois, semelhantemente, desfrutamos das bênçãos de Deus diariamente, até mesmo nos momentos mais difíceis de nossas vidas. Jesus Cristo sustenta seu povo física, emocional e espiritualmente, embora nem sempre percebamos seu agir por causa da ofuscação dos tempos adversos. O Filho tem sido a comida e a bebida diária de todos quantos foram batizados em seu nome. Desfrutamos da comunhão com Deus por meio da salvação, encenada e proclamada no rito do batismo. Precisamos, então, desenvolver um coração grato, contrito e satisfeito no próprio Deus, a fim de não sermos desagradáveis a Ele quando estivermos no deserto, pois é lá que a presença de Deus se torna mais evidente e graciosa. É no deserto que Deus nos prova, a fim de sermos agradáveis a Ele.

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