A ordem tripla de Paulo reflete e reverbera o contentamento diante da soberania de Deus. Embora escritos de maneiras distintas, de modo a se completarem, os versos são claros na mensagem que tencionam transmitir. Andar e permanecer como a pessoa se encontrava quando foi chamada por Deus não significa comodismo no crescimento da vida, nem negligência na luta contra o pecado, muito menos apatia na busca pelo conhecimento bíblico. O que Paulo enfatiza são duas realidades: circuncisão e incircuncisão; escravo e livre. Duas maneiras de viver que, provavelmente, permeavam muitos casais no primeiro século. Não nos esqueçamos: este trecho encontra-se no meio de um capítulo em que há variadas respostas para perguntas sobre o matrimônio. Então, é provável que esses dois temas traziam conflitos para os casais naquela época. Em um casamento entre judeu e não judeu, alguém precisa ceder? Seria bom o gentio circuncidar-se, ou o judeu desfazer sua circuncisão? A resposta de Paulo: permaneça cada um do jeito que estava quando Deus o chamou, pois ser circuncidado ou não, não possui nenhuma vantagem na vida cristã. Semelhantemente, acontecia com o fato de ser escravo ou livre.

Sobre esta ideia, o apóstolo faz uma conexão com o parágrafo anterior, em que o cristão que se separa do incrédulo, por decisão deste, não está debaixo da servidão. O motivo é óbvio! Antes da conversão, como as pessoas foram criadas para serem adoradoras, trocávamos a adoração a Deus por coisas ou pessoas. Uma vez, porém, convertidos, nossa única escravidão é ao Senhor, e nunca a uma pessoa em específico. O relevante para o novo cristão é obedecer a Deus a partir de então, acima de todas as coisas, inclusive do seu próprio cônjuge. A lição maior é não ser escravo de homens, mas unicamente de Deus.

Uma última aplicação é necessária e pertinente. Deus chama pessoas em momentos diferentes de suas vidas, o que significa que muitos são salvos quando já estão divorciados ou contraíram um segundo (ou até outros) casamento. Nesse sentido, a palavra apostólica é de refrigério e tranquilidade: permaneça da maneira que Deus o chamou! Viva a vida cristã na situação em que Deus o salvou! Deus é soberano e sabe o momento certo de salvar alguém. Isso é pura demonstração de confiança na boa, perfeita e agradável vontade divina para nossas vidas.

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