O pecado da divisão que Paulo trata é reflexo de corações orgulhosos, estendendo-se para frutos litigiosos. Desta feita, alonga-se sobremaneira para fora da igreja, adentrando os tribunais deste mundo. Não é novidade para ninguém (ao menos não deveria ser) o quanto a justiça deste mundo distingue-se da justiça divina. Os tribunais humanos, embora afirmem buscar a justiça, são decididos, em grande parte, pelos melhores argumentos das partes envolvidas. Quantos há que, ao defenderem um culpado, conseguem um veredicto favorável por manipular provas, narrativas e contextos. Obviamente, como Deus derrama sua graça comum a todos os homens, eventualmente vislumbres da sua justiça serão perceptíveis deste lado da história; mas justiça plena somente seguindo completamente os valores do reino.

Assim, quando dois irmãos não conseguem resolver uma questão, mas necessitam da mediação de juízes terrenos, alguma coisa está errada. Ou muitas! Primeiramente, por faltar sabedoria da parte da igreja em tratar seus problemas internos, uma vez que os cristãos julgarão o mundo e os anjos (não me pergunte como, quando e por quê!). Errada também por causa do coração dos envolvidos, que estão dispostos a levar até a última consequência a luta pelos seus direitos ao invés de gentil e abnegadamente, ceder um pouco ou até sofrer o prejuízo. Uma batalha jurídica não diz respeito apenas ao ganho ou não de algo, mas ao próprio coração egoísta, avarento e idólatra; por isso a dureza de Paulo. Embora saiba o quanto é difícil portar-nos assim, espero que a igreja esteja disposta a negar seus próprios intuitos do coração em prol de um objetivo maior: a paz uns com os outros e a unidade do corpo de Cristo. Graças a Deus pelo próprio Cristo, que não lutou pelos seus direitos, mas os negou voluntariamente em prol dos nossos interesses. Essa é a mediação da graça!

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