Evangelho sem graça não tem a menor graça. A graça do cristianismo é justamente a graça de Deus derramada em favor de pecadores indignos e desmerecedores. Então, se há algo pelo qual agradecer, é a graça de Deus. Dádiva concedida apenas por meio de Jesus Cristo. Presente que enriquece uma igreja com palavra, conhecimento e dons. Palavra, o ato de expressar todo conhecimento que vem de Deus; conhecimento, sem o qual a palavra fica vazia e sem sentido. Ambos devem sempre andar juntos. Conhecimento sem palavra é enterrar tesouros, quando se tem muita informação bíblica, mas não se faz nada com ela; e isso não tem graça nenhuma. Palavra sem conhecimento é compartilhar qualquer latão pensando que está enriquecendo alguém; nada mais sem graça. Quando, porém, palavra e conhecimento trabalham juntos, a vida de quem os tem pela graça e a vida de quem é ministrado por este são abençoadas e edificadas evidenciando cada dom ofertado pelo Pai.
É a graça que confirma o chamado da igreja fazendo-a irrepreensível, estabelecendo uma comunhão de pecadores com Jesus Cristo hoje, amanhã e sempre, até o fim. Há maior graça do que essa? Esse é o motivo pelo qual Paulo, mesmo diante de uma igreja tão problemática (como quase todas, formadas por pecadores indignos), inicia sua carta com agradecimento e louvores a Deus. De fato, toda gratidão a Deus é derivada dele mesmo e de sua graça, que opera na igreja apesar da própria igreja. E a manifestação máxima desta graça é o próprio Cristo, razão pela qual Paulo o cita cinco vezes nesses seis versículos. Um evangelho sem Cristo não tem a menor graça, justamente por não ter a graça.