Palavras simples, renegando todo sofisma dos eloquentes discursos, não significam ausência de profundidade. Ao mesmo tempo que Paulo pregava sem ostentação ministerial, o fazia expondo os mistérios da sabedoria divina. Diferentemente da recente, frágil e pretensa sabedoria humana, a de Deus foi preordenada; ou seja, além de existir antes da criação do mundo, é primária, não aprendida ou desenvolvida, mas existente desde sempre, a priori. Conhecer essa sabedoria implica em rendição a Jesus Cristo, de modo que não há como conhecer a sabedoria divina à parte da submissão e adoração a Cristo. Além de Jesus, tal sabedoria também depende do Espírito, pois é somente ele quem revela graciosamente aos salvos as profundezas divinas, as quais, naturalmente, não poderiam penetrar em nenhum coração humano. Somente a graça do Deus triúno faz com que o Espírito revele Jesus para alguém, a fim de que o próprio Deus seja conhecido.
Ao receber o Espírito Santo, um cristão passa a ser ensinado por ele, olhando, interpretando e discernindo todas as coisas de um modo diferente, um modo espiritual. A cosmovisão cristã, loucura para o mundo, é a única lente coerente e correta pela qual alguém redimido vive nesse mundo. O Espírito concede a mente do próprio Cristo, fornecendo tudo quanto o mestre possuía para viver uma vida correta diante do Pai. Esse discernimento espiritual não é apenas cognitivo, mas se vê também nas prioridades, nas decisões, nos relacionamentos, nos estudos, no trabalho, na igreja, nos hábitos e, especialmente, ao encarar a possibilidade do sofrimento por fazer o bem. O homem natural nunca entenderá tal padrão. O homem espiritual não se contentará com nada se não esse padrão: o Cristo crucificado.