O que aconteceria se um grande pregador da atualidade, desses que arrastam multidões, cuja eloquência faz cair os queixos dos sábios, decidisse pregar uma mensagem simples? No término do sermão, poderíamos presenciar alguns rostos decepcionados, outros demonstrando indignação, talvez alguns sem entender o que aconteceu. Será que ele esqueceu como soltar frases de efeito no meio do sermão para gerar os melhores cortes? Será que seu conhecimento de línguas originais foi esquecido? Será que ele não é mais o mesmo grande pregador de outrora? Ou talvez ele simplesmente tenha lido o início do segundo capítulo de 1Coríntios e decidido seguir o exemplo de um antigo pregador, desses que deixava gregos e judeus de queixos caídos.

Obviamente, não há problema em usarmos, no ministério, palavras sábias e eloquentes. Não é pecado utilizar línguas originais na pregação; pelo contrário, deveríamos prezar por essas ferramentas. Não é deselegante citar pensadores antigos e modernos. O grande problema é quando o povo de Deus apoia sua fé em mera sabedoria humana, em palavras eloquentes, na fama dos pregadores, no alcance que possuem na internet ou na sua performance. Diante dessa idolatria, uma simplicidade cai muito bem de vez em quando.

Se não há como gloriar-se na salvação, tampouco há motivos para ostentação ministerial. O mesmo Deus que salva soberanamente por sua graça, concede dons e habilidades, capacitando seu povo no exercício de cada função. Se havia alguém que conseguiria ostentar sua linguagem e sabedoria, era Paulo; mas, ao invés disso, decidiu deliberadamente não utilizar seu vasto conhecimento retórico, senão depender exclusivamente do Espírito, a fim de que o poder de Deus se manifestasse na igreja e, consequentemente, a fé comum fosse estabelecida nesse mesmo poder.

Talvez alguns não sejam como Paulo, que precise optar por um ministério fraco; talvez alguns possuam uma fraqueza mais essencial do que uma escolha deliberada. Por outro lado, garanto que nosso ego nem sempre pensa assim. Por vezes nosso coração tenta nos trair, afastando-nos do temor e do tremor e apoiando-nos em nossas supostas habilidades. Quanta pretensão! Neste caso, o problema não está somente na fé do povo de Deus, apoiada erroneamente em fundamentos equivocados, mas nos pregadores que se consideram essenciais o suficiente para ancorar, e por vezes ludibriar, o povo de Deus. Somente Deus é poderoso a ponto de sustentar não só uma igreja, mas toda a sua igreja. Quando a pregação aponta para isso, é feita no Espírito; e Deus é, mais uma vez, glorificado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

dezoito + vinte =